"Quando
criança, antes de sequer pensar em tornar-me artista, imaginei que seria
veterinário. Minha casa era um zoológico: cães, gatos, papagaios, pássaros e
até um quati nós tínhamos. Vi muitos partos de bichos e, em duas ocasiões,
fiquei surpreso ao descobrir que a gata e a cachorrinha davam de mamar aos seus
filhotes trocados, sem quaisquer “dramas de consciência”.
Lembro-me que, nas
muitas idas ao veterinário, me chamava ateção um quadro na parede da sala de
espera:
“O
veterinário reúne 41 médicos em 1. Ele é obstetra, infectologista, cirurgião,
ortopedista, oncologista...”
Talvez o desafio de
ter de estudar 41 vezes mais do que em qualquer outra profissão tenha feito eu
mudar de ideia quanto a ser veterinário. Minha profissão é bastante diferente
daquela dos meus planos originais. Curiosamente, encontrei no meu novo caminho
algumas semelhanças com o que dizia aquele quadrinho escrito em letras
caligrafadas que tantas vezes li na sala de espera com meus bichos no colo.
Muito mais que um
mero desenhista o ilustrador tem por missão criar na página em branco mundos e
gentes, personagens, indumentária, orquestrar coadjuvantes, compor cenários,
padronagens, texturas, iluminação, enquadramentos, gestos e expressões faciais,
estabelecer paleta de cores, pensar no design... Temos enfim que ser vários
artistas em um.

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